Hoje cedo ouvi em uma rádio gospel uma apresentadora (ou locutora, não sei ao certo) falando/orando: “Senhor leva embora todas as enfermidades, leva embora a dengue, a alagação…” (parei de ouvir aí!). Alagação?!?!?!? “Levar embora a alagação”?! Como se fosse uma doença, um mal que pudesse ser evitado. Mas a “alagação” não é uma doença, e nem um “mal a ser combatido”, o rio apenas está fazendo o seu curso natural! Todo ano tem a época do rio ficar “seco”, e tem a época do rio ficar “cheio”. Pelo amor de qualquer coisa, todo santo ano o rio enche e ocupa o espaço que é, era e sempre vai ser dele naturalmente. A população que é teimosa e insiste em viver ali mesmo sabendo que vão perder tudo ou quase tudo por causa das cheias, vão ter que se mudar, ou ficar em abrigos. O rio segue seu curso, se ele está em época de “seca”, não adianta se iludir, vai ter um dia que ele vai voltar pro seu lugar de origem, e vai tomar o lugar que é dele, e azar de quem fica nas margens só poluindo, “azar” modo de dizer, porque azar é imprevisível, e a cheia dos rios é totalmente previsível, ou você não está acostumado a ver todo ano essa mesma ladainha de “enchente deixa não-sei-quantas famílias desabrigadas”?
E por falar em desabrigadas, essas famílias até gostam, dou minha cara à tapa se disserem que não gostam! Vou explicar. Não sou partidário, mas tenho que falar das coisas boas que esse governo fez. E o amparo à essas famílias é um delas. As famílias desabrigadas vão para o parque de exposições, todas as pessoas e seus “bens” muito bem cadastrados, pra não haver confusão na hora de separar panelas (você deve pensar:”mas que maldade, tirando onda só porque são pobres”, mas realmente deu confusão por causa de panela, os espertinhos estavam fazendo a mudança com vizinho, levando tudo junto, pra na hora de desembarcar as coisas lá no parque feito por um caminhão da prefeitura, separar coisas a mais, e isso é fato). E eles ficam vivendo muito melhor nesse parque para desabrigados. Creche para as crianças, com pessoal treinado pra cuidar e entreter crianças (contando historinhas, cantando musiquinhas), gente pra cozinhar e lavar, limpar e organizar tudo. Tem no mural um cardápio da semana, dizendo o que vai ter no almoço e jantar de segunda à sexta, então as pessoas ficam sem fazer nada o dia todo sabendo o que vai comer, mas como são famílias tão carentes que só em saberem que vão comer três vezes ao dia já é uma alegria. Posso ser um pouco exagerado, mas não vi ainda outro lugar que tenha tanto cuidado com as famílias desabrigadas. Mas nem sempre era assim, antigamente jogavam todo mundo nos colégios públicos, parando as aulas, causando transtorno aos vizinhos, um caos. Hoje tem alimentação adequada, médicos, cabeleireiros, creche, assistência social o tempo todo. Até me arrisco a dizer que algumas famílias mais pobres se recusam a sair da beiro do rio pra poder ter, ao menos uma vez no ano, um tratamento de gente e comida pras crianças.
Mas dizer pra uma família sair dali é o mesmo que dizer: “abra mão de ir para o parque de exposições com os outros desabrigados, de comer três vezes ao dia, de poder ficar despreocupada com seus filhos porque vai ter gente pra cuidar, de ter um médico pra te atender de graça e sem ter que acordar 3 da madrugada pra ir pra fila, de poder cortar o cabelo de graça e de ter assistência social sempre e a qualquer hora que precisar”.

Entenda que não estou julgando o tratamento dado a eles, até apoio, o ser humano deve ser tratado como tal, e se todo esse suporte está ao alcance da prefeitura ou governo, nada mais justo do que fazê-lo. Só fiquei embasbacado com a declaração da moça do rádio. É como disse Marina Silva: “A natureza não sabe se defender, ela sabe se vingar”. E natural, o culpado é o próprio ser humano. Mas volto a dizer, o rio segue seu curso, basta sair do seu caminho natural que acabam os problemas.
Mas gente ignorante (por falta de informação) tem em todo lugar, no Jornal Nacional vi que os moradores estavam protestando contra a “chuva”, p#t@ q#3 p@r%L contra a CHUVA????!!!!
Fim dos tempos mesmo, reclamando de alagação, chuva, daqui a pouco vão reclamar do ar que respiram porque não está tão puro.

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