Morre o jornalista e comentarista esportivo Armando Nogueira

E para os leigos, como poderia dizer… ele era um dos jornalistas mais respeitados no Brasil, fez história, e deixou um legado para o telejornalismo e telejornalismo esportivo. Um clássico no que diz respeito à palavra, deixou o Brasil (e suponho que o Acre também) mais triste, foi um brilhante jornalista e cronista esportivo. Pioneiro do telejornalismo, foi responsável pela implantação do jornalismo na Rede Globo, com destaque para a criação do Jornal Nacional, primeiro jornal em rede da história da televisão brasileira. No começo da carreira escrevia textos para os locutores Cid Moreira e Heron Domingues lerem na antiga TV-Rio. A partir de 1954, esteve presente na cobertura todas as Copas do Mundo e, desde 1980, de todos os Jogos Olímpicos.

Armando Nogueira é dono de um estilo original e elegante, que foge dos lugares comuns que proliferam na crônica esportiva. Pode-se dizer que fez escola, pois vários repórteres esportivos tentam imitá-lo. Não raro, Armando extravasa sua veia poética para demonstrar sua admiração pelo esporte e por seus ídolos. Algumas de suas frases inspiradas se tornaram antológicas.

Aos 83 anos, morreu por volta das 7h desta segunda-feira (29), e seu velório vai ser na cúpula de honra do Maracanã.

O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes anunciaram luto oficial de três dias pela morte “do grande jornalista Armando Nogueira, cujo texto se confunde com os melhores momentos do futebol brasileiro. Um acreano que, na juventude, veio morar no Rio de Janeiro e se transformou em um dos ícones do jornalismo do país”. 

E mesmo sendo de Xapurí-AC, os próprios acreanos desconhecem o trabalho fenomenal de um mestre. Eu: Sabe quem é Armando Nogueira? Fulano: Ele mora alí na baixada do Sobral? Acho que sei quem é. Sicrano: Não pow, ele tá falando do colégio no rumo do Tucumã.

‘Ele me ensinou a fazer telejornalismo’, diz Bonner.

 Agora eu quero ouvir paulista, carioca, gaucho e quem mais vir falar mal do Acre, mandar-los-ei (…) estudarem geografia e história antes de qualquer coisa, e nada mais a declarar!

E aqui fica minha singela homenagem à esse Acreano que sabia usar as palavras. E como não poderia deixar de  ser, as melhores frases desse poeta esportivo:

O Rei e a bola: “Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola.” 

Mané e o drible: “Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.” 

Perfeição: “A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.” 

Habilidade: “No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.”  

Humor: “Anúncio: troco dois pés em bom estado de conservação por um par de asas bem voadas.” 

Crítica: “Os cartolas pecam por ação, omissão ou comissão”  

Ídolos: “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance” 

Enciclopédia: “Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

  Zico:  “A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico, com cheiro de gol.”

 O gol: “Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.”

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