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“Nota de repúdio

Ainda estou perplexa e chocada com os fatos presenciados na madrugada de segunda, dia 30 deste mês, na Expoacre, paralelamente ao tão falado show do tal Cristiano Araújo. Minha indignação aqui, não é pelo atraso ou má gerência da organização do evento, até porque sequer entrei (ou cogitei) assistir ao show.
Certo, vamos aos fatos:
Por volta das 3h da manhã, estava com alguns amigos em frente ao box da polícia, conversando e dançando, quando, percebemos uma grande movimentação de policiais próximos ao local. Eram aproximadamente 20 homens, em semicírculo caminhando na direção do box, então, percebemos que no meio havia um rapaz, sem blusa, aparentando ter 1,80cm, franzino e, visivelmente, embriagado. A cena era realmente intrigante, o tamanho do itinerário que, sem sucesso, tentavam deter o cidadão! Não bastasse nenhum dos “preparados” policiais ter a genial ideia de algemar o rapaz, tentaram, também em vão, dar uma “chave de pescoço”. A situação já passava dos 7 minutos, chegaram mais policiais, e nada de controlarem a inquietude do dito cujo. E então é que começou uma das cenas mais brutais que tive o desprazer de presenciar na vida (em se tratando de um evento como a EXPOACRE), sem sucesso nas técnicas e provavelmente nenhum deles tinha acesso à algo tão simples como uma algema, começaram a descarregar, inúmeras e sequenciais vezes choques no rapaz, já semidesacordado, só de cueca, estirado no chão. Perdemos a conta de quantas vezes foram disparados, diretamente, os choques da Taser.
Quem estava assistindo àquilo, chocado e revoltado com a cena, começou então a apelar aos policiais que parassem a tortura, claramente desnecessária! Tentamos, por diversas vezes, falar com os policiais, alguns até mais acalorados, devido ao impacto que a cena nos causava. Fomos agredidos verbalmente, empurrados e ameaçados (parece ser a única forma de diplomacia utilizada pelos mesmos). Após os protestos, conduziram o rapaz para dentro de uma pequena sala, onde não víamos, mas ainda se ouvia o barulho da Taser e podíamos inferir que aplicavam pontapés no indivíduo.
Passados alguns minutos, uma equipe do SAMU entrou na sala. Dali houve uma rápida movimentação onde três (creio eu) policiais à paisana conduziram o rapaz, todo enfaixado, aparentemente com o queixo quebrado, a um carro civil (que anotei a placa, mas não irei divulgar neste) e saíram. Ficaram ali em volta, alguns policiais, rindo bastante e debochando de quem se indignara com o ocorrido.
Isto só vem de fato mostrar a total ingerência do estado e o evidente despreparo da nossa polícia ante a população. Em casos assim, o que fazer? Chamar a polícia?”

Juliet Matos.

Eu ia fazer um texto sobre isso, mas a Juliet fez primeiro e ficou tão bom que eu achei melhor só copiar. E sobre o texto, é como meu amigo Fernando disse: “Os policiais eram pra ser as pessoas mais inteligente entre os civis. Mas eles insistem em querer fazer concurso pra ensino médio.”

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